Cuidados / Saúde

 

 

   Antes de se render à sua beleza tricolor, há que reunir algumas condições ideais. Habitando em apartamento, há que dispor de bastante tempo para passeá-lo; mesmo numa casa com jardim/quintal não se deve deixá-lo sozinho durante todo o dia. O Bouvier Bernois não suporta a solidão, preferindo estar sempre perto do(s) dono(s) em qualquer situação. Deve ser esta a primeira preocupação de um criador e proprietário conscienciosos.

   É importante saber escolher um bom criador (nunca comprar um cão em lojas de animais!), solicitando à Associação Portuguesa dos Boieiros Suíços a lista dos seus criadores recomendados. Deve visitar-se o maior número de criadores possível antes de se decidir, pedindo para conhecer os progenitores, o meio e as condições em que vivem, todos os documentos dos pais, sobretudo as radiografias da displasia da anca, lidas oficialmente pela Federação Cinológica Internacional (F.C.I.).

   Adquirido o cachorro, há que começar por saber educá-lo. A coerência de comportamento de toda a família com o cachorro é fundamental. O Bouvier Bernois é muito inteligente, aprende com facilidade e aceita sem questionar os ensinamentos que recebe, mas não se deve ceder ao seu olhar apaixonante, pois ele instintivamente tenta ser o “chefe”. A sociabilização é fundamental, seja com pessoas, animais, ruídos e situações insólitas. 

   A partir dos 3 meses é importante começar, muito progressivamente, a passear o cachorro fora de casa, tendo sempre em atenção que até ao ano de idade o esforço deve ser muito controlado, estando fora de questão, por exemplo, levá-lo à praia já que esta exige um enorme esforço às frágeis articulações do cachorro.

   Na saúde a principal preocupação é a Displasia da Anca (DA), doença de componente hereditária e ambiental, pelo que há que seleccionar reprodutores sãos. É fundamental no primeiro ano evitar esforços violentos ou prolongados, actividades desportivas ou o simples subir e descer de escadas.

   A torsão de estômago é um problema comum às raças grandes, devendo alimentar-se o cão com uma ração de boa qualidade e grande digestibilidade, respeitar as dosagens, repartir a dose diária por 2 ou 3 refeições e evitar esforços após as mesmas. NUNCA dar complementos de vitaminas ou minerais. O Entrópio e Ectrópio são doenças muito penalizantes, mas felizmente bastante raras, sendo apenas necessário seleccionar progenitores sãos. 

 

A Displasia da Anca (DA)

Descrição

   A displasia da anca é uma doença que resulta da lassidão excessiva da cabeça do fémur na cavidade articular da anca. Na articulação de uma anca normal há um contacto estreito entre as superfícies articulares do cótilo (cavidade articular da bacia) e a cabeça do fémur (bem esférica). Na displasia existe uma lassidão anormal da articulação, com um desenvolvimento anormal da cótilo e da cabeça femoral.

 

                                       Anca Normal

 

Anca Displásica

Legenda

  1. Fémur
  2. Músculos
  3. Bacia
  4. Acetábulo (cavidade que recebe a Cabeça do Fémur)
  5. Cabeça do Fémur
  6. Vértebras Cóccigeas (Base da Cauda)

Notar:

  1. Atrofia Muscular (B2 vs A2)
  2. Osteoartrose (degeneração da superfície articular) que se manifesta por irregularidade do Acetábulo (B4 vs A4) assim como pela presença de Osteofites(*)
  3. Remodelação da Cabeça do Fémur (**)

 

Classificação dos graus de Displasia da Anca (DA)

  • Estado A – Nenhum sinal de displasia
  • Estado B – Estado intermediário : má coaptação entre a cabeça femoral e o acetábulo; angulo de Norbert Olson > 105º
  • Estado C – Displasia ligeira : má coaptação com angulo de Norbert Olson > 100º
  • Estado D – Displasia média : má coaptação com sinal de artrose
  • Estado E – Displasia grave : luxação ou sub-luxação da cabeça femoral com artrose

 

 

A Displasia do Cotovelo (DC)

Descrição

   A palavra displasia designa uma anomalia de desenvolvimento de um orgão; assim, na displasia do cotovelo estão agrupados:
  • a Osteocondrose Dissecante do Côndilo Humeral Médio - OCD (1ª radiografia)
  • a Não União do Processo Anconeus (2ª radiografia)
  • a Fragmentação do Processo Coronóide (3ª radiografia)
  • a Incongruência Articular (4ª radiografia)

    A genética e o crescimento influem no aparecimento destas anomalias.

    Na vertente hereditária, deve perguntar-se ao criador se radiografou os seus reprodutores. Do lado do crescimento, cabe ao proprietário seguir os conselhos do criador, no que respeita à prudência no primeiro ano de vida (evitar a sobrecarga nas articulações).

O facto do animal mancar dos anteriores não significa obrigatoriamente que tenha displasia do cotovelo. Pode tratar-se simplesmente de dores de crescimento passageiras.

Classificação dos graus de Displasia do Cotovelo (DC)

  • 0 - Ausência de displasia do cotovelo radiologicamente visível 
  • 1 - Displasia ligeira
  • 2 - Displasia média
  • 3 - Displasia severa

 

Atrofia Progressiva da Retina (PRA)

progressive rod-cone degeneration (prcd)”

A PRA refere-se a um grupo de doenças que causam a lenta degenerescência da retina do olho. O resultado é a diminuição da visão e eventual cegueira. Prcd significa “progressive  rod-cone degeneration”, e é o tipo de PRA conhecido em várias raças, entre as quais o Cocker Spaniel Inglês e Americano, o Labrador, o Cão de Água Português e o Bouvier de Entlebuch.

A doença genética prcd-PRA causa a degenerescência e morte das células da retina no fundo do olho, apesar destas parecerem desenvolver-se normalmente nos primeiros tempos de vida. As células “rod” operam em níveis de luz baixa e são as primeiras a perder a sua função normal. O resultado é a cegueira no escuro. Depois as células “cone” perdem gradualmente a sua função normal em situações de plena luz. A maioria dos cães afectados ficará eventualmente cego. Normalmente a doença clínica reconhece-se pela primeira vez no início da adolescência ou da idade adulta. O diagnóstico da doença da retina pode ser difícil. Infelizmente não há para já tratamento ou cura para a PRA.

Hereditariedade

            A prcd-PRA é uma doença hereditária com traço recessivo. Isto quer dizer que o gene doente tem que ser herdado de cada progenitor para causar a doença numa ninhada, sendo os progenitores “portador” ou afectado. O “portador” tem um gene doente e um gene normal, e é denominado “hetero” para a doença. Um cão normal não tem gene doente e é denominado “homozigótico normal”, ou seja, ambas as cópias do gene são as mesmas. E um cão com dois genes doentes é denominado “homozogótico afectado”, ou seja, ambas as cópias do gene são anormais.

            Está provado que todas as raças testadas à prcd-PRA têm a mesma doença causada pelo mesmo gene alterado, apesar da doença poder desenvolver-se em idades e com severidade diferentes de uma para outra raça.

            Apesar da prcd-PRA ser uma doença hereditária , pode ser evitada em futuras gerações testando os cães antes de reproduzirem. A chave é identificar cães que não tenham genes doentes. Estes cães “limpos” podem reproduzir com qualquer parceiro, mesmo com cães afectados com a prcd que tenham interesse reprodutivo por outras razões. A possibilidade de produzir cachorros afectados em tais cruzamentos depende da certeza dos resultados dos testes.

O teste genético

            O teste é realizado numa pequena amostra de sangue do cão. O teste analisa a específica mutação do ADN que causa a prcd-PRA. O teste detecta a cópia anormal/mutante e a cópia normal do gene. O resultado do teste é um genotipo e permite a separação dos cães em 3 grupos: Normal/”limpo” (homozigótico Normal), Portador (heterozigótico) e Afectado (homozigótico mutante).

Resultados possíveis do teste prcd-PRA

Genotipo

Grupo de risco

Significado para criação

Risco de prcd

Homozigótico Normal

Normal/”limpo”

Pode cruzar com qualquer cão, risco de produzir cachorros afectados extremamente baixo

Extremamente baixo

Heterozigótico

Portador

Deve cruzar só com  Normal/ ”limpo” para remover o risco de produzir cachorros afectados

Extremamente baixo

Homozigótico Mutante

Afectado

Deve cruzar só com  Normal/ ”limpo” para remover o risco de produzir cachorros afectados

Muito alto

 

Entrópico e Ectrópico

  • O Entrópico é o enrolamento da pálpebra para o interior

  • O Ectrópio é o enrolamento da pálpebra para o exterior.

Síndroma da Dilatação / Torsão do estômago

É uma patologia com graves consequências quando é detectada tardiamente. Várias vezes os cães morrem pois os donos não conhecem os sintomas.

Causas

A dilatação / torsão do estômago é considerada como um acidente, pois não se conhecem todas as causas, embora algumas pareçam favorecer o seu aparecimento : tórax profundo e estreito, uma alimentação rica em cereais, uma só refeição por dia, exercício antes e após as refeições, um funcionamento anormal do esófago.

Reconhecer os sintomas

  • Náuseas, vómitos, hiper-salivação

  • Dilatação da parte anterior do abdómen (aspecto de tambor)

  • Dificuldades respiratórias

  • Estado de choque, evoluindo para o coma

Estes 4 sintomas surgem sucessivamente. O segundo sintoma indica que o estômago se enche de gaz. O terceiro e quarto traduzem as maiores complicações : compressão da caixa torácica, complicações vasculares, neurológicas e cardíacas.

Tratamento

É necessário actuar o mais rápido possível e deslocar-se ao veterinário de urgência. Este dispõe de apenas 2 ou 3 horas antes que os problemas internos sejam demasiado importantes.

Medidas Preventivas

  • Não fazer exercício 1 hora antes e depois das refeições

  • Alimentar os cães individualmente

  • Fazer duas refeições por dia, em adulto

  • Evitar mudanças bruscas de alimentação

  • Dar um alimento de alta qualidade (refeições de menor quantidade)

  • Não deixar beber grandes quantidades de água imediatamente após esforços

 

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