O Bouvier Bernois

"Parece-me que, pela harmonia das suas formas e o seu manto esplêndido, o Bouvier Bernois é  o mais belo de todos os cães. Em minha opinião nenhum outro cão se aproxima tanto do arquétipo do "canis domesticus" nem permaneceu mais fiel a esta imagem que o Bouvier Bernois. A sua rusticidade aparente esconde um ser sensível e afectuoso."

Prof.Albert Heim - Instituto de Geologia Politécnica Federal de Zurich

Grande Promotor do Bouvier Bernois e primeiro presidente do "Club do Dürrbächler"

   

    Um grande número de teorias foram avançadas quanto à origem do Bouvier. Uma das mais correntes defende que os dogues europeus (incluído o Bouvier Bernois) descenderiam do grande molosso tibetano, chegado à Suíça por mão dos romanos. Contudo esta hipótese não resistiu às descobertas modernas. O único facto a reter é que já existiam cães na região da actual Suíça 4000 anos a.C., e que entre 1000 e 600 anos a.C. existiriam cães do tamanho de um Bouvier Bernois.

    Assim sendo, limitamo-nos a constatar que o Bouvier Bernois existe como raça somente desde o começo do séc. XX, formada pouco a pouco a partir de cães de quinta cuja origem, idade e transformações se desconhecem. Contudo certos indícios permitem afirmar que se trata de uma raça indígena muito antiga; mas ninguém conhece a sua idade verdadeira.

   Após 1860, com o desenvolvimento das redes ferroviárias, a criação de cães de raça floresce tanto na Suíça como na Europa. Foi o S. Bernardo que adquiriu renome mundial em primeiro lugar. Por outro lado, foram importados para a Suíça o Leonberger, os Dogues e o Terra Nova, que em alguns casos foram cruzados com os cães indígenas. Deste modo o antigo cão de quinta desapareceu a pouco e pouco das regiões próximas das redes de comunicação.

   A região de Schwarzenburg permaneceu afastada das ligações por estrada e caminho de ferro até relativamente tarde. Situada entre o sul de Berna e a região de Gantrisch, é caracterizada por uma estrutura rural formada por quintas isoladas e a transumância de manadas de bovinos entre as pastagens alpinas e a planície. Aqui o clima é mais rigoroso e o terreno muito acidentado. Foi nesta região remota que os cães de quinta tricolores puderam preservar as suas qualidades intrínsecas. 

    Será o lugar de Dürrbach, formado apenas por uma quinta e um albergue, a dar nome ao cão, que se tornará o “Dürrbächler”, denominação que data provavelmente do final do século passado para designar os grandes cães tricolores aptos à tracção, guarda e condução de gado.

   Os criadores de cães espalhados pelo cantão de Berna agruparam-se relativamente tarde. Apenas em 1899 é formada a sociedade cinológica “Berna” que permite a discussão entre criadores e proprietários de cães. Em 1902 a “Berna” organiza em Galgenfeld um exposição onde são pela primeira vez apresentados 3 “Dürrbächlers”, se bem que a título experimental.

    Na exposição de Berna de 1904 foram apresentados 6 exemplares, dos quais 4 foram os primeiros inscritos no Livro de Origens Suíço (LOS): Belline, Ringgi, Phylax e Prinz. Foi com esta exposição que os Dürrbächler atraíram a atenção do público, incluído o Prof. Heim, conhecido criador de Terra Novas, tendo algumas pessoas resolvido iniciar a criação.

   Em 1907 os criadores de Burgdorf apresentaram seus cães, pela primeira vez, na exposição de Lucerna, sendo julgados pelo Prof. Heim. Encorajados pelo apoio que obtinham, os criadores fundaram em Novembro de 1907 o "Club Suisse du Chien de Dürrbach". Em Langenthal o Prof.Heim sugeriu que o cão se passasse a chamar "Bouvier Bernois", por analogia com os outros Boieiros Suíços, mas os criadores de Burgdorf e Berna rejeitaram tal proposta até 1913, altura em que, sob influencia da Société Cynologique Suisse, se efectivou tal mudança. Contudo, a denominação “Dürrbächler” ainda hoje é utilizada.

    O Prof. Heim, apesar de nunca ter criado Bouviers Bernois, desempenhou um papel muito importante, juntamente com os primeiros criadores, na preservação das características consideradas essenciais, tendo julgado, de forma continuada, entre 1907 e meados dos anos 20. O Prof. Heim insistia na aparência “natural” própria do Bouvier Bernois, nomeadamente a cabeça.

    Quanto ao carácter, o Bouvier Bernois manteve, sem dúvida, as suas particularidades ; é um cão que gosta de viver numa grande comunidade, que se adapta facilmente ao ritmo diário, que controla com atenção tudo o que se passa e tem uma grande afeição pelas crianças.

   O Bouvier Bernois sabe reconhecer instintivamente os limites do seu território, assinalando a aproximação de qualquer pessoa ou coisa desconhecida. Ele acompanha sempre os desconhecidos quando estes entram no seu território e observa as reacções do seu dono em relação a estes.

   A maioria dos Bouviers Bernois possui um instinto de guarda e defesa bastante acentuados em relação a objectos e à propriedade do seu dono. 

   O que atrai num Bouvier Bernois é a sua disponibilidade para cumprir todas as tarefas que lhe são pedidas, seja puxar uma charrete ou exercícios de busca. Por isso é importante dar-lhe alguma ocupação que lhe permita satisfazer a sua necessidade de actividade inata. A sua independência no cumprimento de uma tarefa torna-o menos apto que outras raças na execução de exercícios repetitivos que exijam grande precisão. Apesar da sua grande força é fácil de educar e levar a passear.

           

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