A região de Schwarzenburg permaneceu afastada das ligações
por estrada e caminho de ferro até relativamente tarde. Situada entre o
sul de Berna e a região de Gantrisch, é caracterizada por uma estrutura
rural formada por quintas isoladas e a transumância de manadas de bovinos
entre as pastagens alpinas e a planície. Aqui o clima é mais rigoroso e o
terreno muito acidentado. Foi nesta região remota que os cães de quinta
tricolores puderam preservar as suas qualidades
intrínsecas.
Será o lugar de Dürrbach, formado
apenas por uma quinta e um albergue, a dar nome ao cão, que se tornará o
“Dürrbächler”, denominação que data provavelmente do final do
século passado para designar os grandes cães tricolores aptos à
tracção, guarda e condução de gado.
Os criadores de cães espalhados pelo
cantão de Berna agruparam-se relativamente tarde. Apenas em 1899 é
formada a sociedade cinológica “Berna” que permite a discussão entre
criadores e proprietários de cães. Em 1902 a “Berna” organiza em
Galgenfeld um exposição onde são pela primeira vez apresentados 3 “Dürrbächlers”,
se bem que a título experimental.
Na exposição de Berna de 1904 foram apresentados 6
exemplares, dos quais 4 foram os primeiros inscritos no Livro de Origens
Suíço (LOS): Belline, Ringgi, Phylax e Prinz. Foi com esta exposição que
os Dürrbächler atraíram a atenção do público,
incluído o Prof. Heim, conhecido criador de
Terra
Novas, tendo algumas pessoas resolvido iniciar a criação.
Em 1907 os criadores de Burgdorf
apresentaram seus cães, pela primeira vez, na exposição de Lucerna,
sendo julgados pelo Prof. Heim. Encorajados pelo apoio que obtinham, os
criadores fundaram em Novembro de 1907 o "Club Suisse du Chien de
Dürrbach". Em Langenthal o Prof.Heim sugeriu que o cão se passasse
a chamar "Bouvier Bernois", por analogia com os outros Boieiros
Suíços, mas os criadores de Burgdorf e Berna rejeitaram tal proposta
até 1913, altura em que, sob influencia da Société Cynologique Suisse,
se efectivou tal mudança. Contudo, a denominação “Dürrbächler”
ainda hoje é utilizada.
O Prof. Heim, apesar de nunca ter
criado Bouviers Bernois, desempenhou um papel muito importante, juntamente
com os primeiros criadores, na preservação das características
consideradas essenciais, tendo julgado, de forma continuada, entre 1907 e
meados dos anos 20. O Prof. Heim insistia na aparência “natural”
própria do Bouvier Bernois, nomeadamente a cabeça.
Quanto ao carácter, o Bouvier Bernois manteve, sem
dúvida, as suas particularidades ; é um cão que gosta de viver numa grande
comunidade, que se adapta facilmente ao ritmo diário, que controla com
atenção tudo o que se passa e tem uma grande afeição pelas crianças.
O Bouvier Bernois sabe reconhecer
instintivamente os limites do seu território, assinalando a
aproximação de qualquer pessoa ou coisa desconhecida. Ele acompanha sempre
os desconhecidos quando estes entram no seu território e observa as
reacções do seu dono em relação a estes.
A maioria dos Bouviers Bernois possui um instinto de
guarda e defesa bastante acentuados em relação a objectos e à propriedade
do seu dono.
O que atrai num Bouvier Bernois é a sua
disponibilidade para cumprir todas as tarefas que lhe são pedidas, seja
puxar uma charrete ou exercícios de busca. Por isso é importante dar-lhe
alguma ocupação que lhe permita satisfazer a sua necessidade de
actividade inata. A sua independência no cumprimento de uma tarefa
torna-o menos apto que outras raças na execução de exercícios
repetitivos que exijam grande precisão. Apesar da sua grande força é
fácil de educar e levar a passear.